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Aljustrel é uma pequena localidade próximo a Fátima, onde vivem poucas famílias. Entre elas residiam as famílias "Dos Santos" e "Marto" , que eram parentes. Maria dos Santos teve sete filhos sendo Lúcia de Jesus (22/03/1907) a última. Sua parenta Olímpia, esposa de Manuel Pedro Marto, eram os pais de Francisco (11/03/1908) e Jacinta (10/03/1910). Olímpia era irmã do pai de Lúcia, em consequência Lúcia, Francisco e Jacinta eram primos.

Muitos anos mais tarde, em carta escrita ao Bispo de Leiria, Lúcia descreve com pormenores comovedores a sua infância feliz. Sendo a filha mais nova foi muito mimada pelas irmãs mais velhas e era sempre lembrada nas brincadeiras, nos passeios e nas festas. Também se recorda com muita ternura e alegria do dia em que fez a primeira comunhão. Descreve assim: "Já vestida com o meu vestido branco, a minha irmã Maria levou-me à cozinha para pedir perdão aos meus pais, para lhes beijar a mão e lhes pedir a benção. Ao terminar esta cerimônia, a mãe fez-me as últimas recomendações. Disse-me o que eu devia pedir a NOSSO SENHOR, quando ELE estivesse dentro de meu peito e deixou-me com estas palavras: Sobretudo pede a NOSSO SENHOR que faça de ti uma Santa. Estas palavras ficaram gravadas de forma inesquecível no meu coração e foram as primeiras que eu disse a NOSSO SENHOR depois de o ter recebido".

A amizade com os primos Francisco e Jacinta cresceu quando eles foram juntos apascentar as ovelhas. Francisco era um menino tranquilo e um pouco calado. Só falava o absolutamente necessário, assim mesmo, depois de muita insistência. Gostava da solidão e só participava dos jogos quando era convidado. Gostava de tocar pífaro, de cantar e também tinha prazer em admirar a natureza. Sempre dava de comer as aves, brincava com os lagartos e as cobras pequenas, aos quais dava o leite das ovelhas. Jacinta tinha o gênio completamente diferente do irmão: era sensível e cuidadosa, era muito viva, esperta e teimosa, mas era também muito delicada e gentil. Ela também gostava dos animais, sempre brincava com os cordeirinhos e as vezes levava um para casa nas costas, para o animal não se cansar.

Durante as Aparições do Anjo, eles tiveram a oportunidade de sentir a magnitude do delicioso prazer de estar diante do sobrenatural, embora fosse apenas o prelúdio do extraordinário evento que estava para acontecer. Foi como se a visita do Anjo, fosse um meio de prepara-los, para o incomparável evento da suprema visita da MÃE DE DEUS.

Quando NOSSA SENHORA os visitou, transformou os seus dias numa felicidade sem limites. Foram inundados pela imensidão do Amor de DEUS e suas vidas se transformou numa doce e terna preocupação de querer retribuir, para agradar muito mais a DEUS e a VIRGEM MARIA. Rezavam com fervor, flagelavam o corpo e se submetiam a duras e difíceis penitencias, por iniciativa própria, objetivando consolar e desagravar o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, por causa de todas as blasfêmias, das maldades, das injúrias e de todos os pecados cometidos contra eles.

Mas também foi naquele período que eles viveram momentos de intensa angústia e aflições. À medida que os fatos se tornavam do conhecimento público, muita gente levada pelo despeito e pela inveja criticavam e zombavam deles, pois imaginavam que era mentira ou brincadeira de mal gosto das crianças. Os seus próprios pais e irmãos, inicialmente não acreditavam no que os filhos diziam e não lhes davam a mínima importância. Com a sucessão dos acontecimentos e a continuidade das Aparições foi que começaram a acreditar. O povo passou a acompanhá-los nos "encontros com NOSSA SENHORA", a princípio timidamente, somente movidos pela curiosidade, embora algumas pessoas ficassem impressionadas com a simplicidade e a espontaneidade daquelas crianças tão pequenas e com um comportamento tão adulto, e por isso mesmo, decidiram acreditar. Porque também elas começaram a perceber os fenômenos que aconteciam na natureza, quando a MÃE DE DEUS conversava com as crianças: o sol perdia o brilho e podia-se ver a lua e as estrelas; uma cor amarelada envolvia toda a atmosfera; uma pequena nuvem envolvia a azinheira onde estava a VIRGEM MARIA e os videntes; e também, caía do Céu uma chuva de flocos de neve que não chegava a tocar o chão, mas se desfazia a certa altura. Mas, as autoridades, pelo contrário, não estavam satisfeitas com aquela aglomeração e movimentação de pessoas na Cova da Iria e por isso, tentaram por diversos modos proibir a frequência do povo. Como nada conseguiram, decidiram pressionar as crianças: primeiro com interrogatórios forçados e depois com ameaças, chegando ao absurdo de prendê-los na cadeia municipal, numa cela junto com malfeitores.

Depois das Aparições, a vida dos três priminhos resumiu-se no ascendente propósito de intensificar as suas orações, penitências e jejuns, suplicando pela conversão dos pecadores, para consolar o Coração do SENHOR DEUS.

Por ordem de seus pais, somente a Lúcia continuou pastoreando o rebanho de ovelhas, até uma certa época, quando decidiu ir para o Convento. A Jacinta e o Francisco ficaram com a tarefa de atender as pessoas que os procuravam, respondendo todas as perguntas que faziam sobre as Aparições. Mas frequentemente eles desapareciam, sem que ninguém os pudesse encontrar. É possível que fossem para a gruta do Monte Cabeço e em companhia de Lúcia, ficassem rezando o Terço, a Oração do Anjo e fazendo sacrifícios que só NOSSO SENHOR conhece. Quando frequentavam a escola, aproveitavam a proximidade da Igreja, para visitar JESUS Sacramentado. Jacinta queria falar e passar muito tempo ao lado de "JESUS escondido". Francisco também, até faltava as aulas e permanecia na Igreja, ao lado de "JESUS escondido".

No dia 23 de Dezembro de 1918, Francisco e Jacinta foram atacados por uma epidemia de broncopneumonia que tinha se alastrado por toda a Europa e adoeceram gravemente. O caso do Francisco foi mais complicado e o organismo dele não resistiu. Recebeu a Primeira Comunhão Eucarística com "grande lucidez e piedade" e ficou radiante de felicidade. Disse para a Jacinta:

- "Hoje sou mais feliz do que tu, porque tenho dentro de meu peito "JESUS escondido".

Faleceu no dia seguinte, sexta-feira, dia 4 de Abril de 1919, às 22 horas, com o rosto iluminado por um sorriso angélico, sem agonia e nem dores.

Lúcia e Jacinta sentiram muito a morte dele, principalmente a irmãzinha, por estar com o organismo enfraquecido pela pneumonia. Nas semanas seguintes, Jacinta contraiu uma pleurisia purulenta, seguida de outras complicações, que por conselho médico, foi levada para o Hospital de Vila Nova de Ourém. Muito pouco resolveu a internação, voltou para casa com uma ferida aberta no peito, à qual devia fazer curativos diários, e por causa dela sofria muito. Guardava silêncio, não queria demonstrar o seu sofrimento, porque oferecia todas as suas dores pelos pecadores, para reparar o Coração Imaculado de Maria, por amor a JESUS e pelo Santo Padre. Viajou para Lisboa com a mãe, por insistência do Dr. Eurico Lisboa, que visitava Aljustrel em meados de Janeiro de 1920, porque viu que ela necessitava de um tratamento mais especializado.

Na capital portuguesa, pelo fato de seu estado de saúde ser extremamente grave, foi rejeitada por diversas Casas de Saúde e só encontrou hospedagem na pobreza do Orfanato de NOSSA SENHORA DOS MILAGRES, na rua da Estrela, 17. Conta a Irmã Superiora, Madre Maria da Purificação Godinho, que imediatamente reconheceu nela o extraordinário tesouro que o Céu havia colocado em suas mãos. Sua paciência, o notável espírito de oração e sua obediência, aliadas a uma inocência belíssima e a uma modéstia nata, influiu diretamente no comportamento das outras crianças.

Recebia a Sagrada Comunhão diariamente e sentia-se feliz de viver embaixo do mesmo teto onde estava JESUS Sacramentado.

Por mais de uma vez recebeu a visita de NOSSA SENHORA. Como não tinha mais a Lúcia e o Francisco para confidenciar-lhes os seus segredos, escolheu a Madre Godinho, a quem chamava de Madrinha. Dentre as muitas anotações feitas pela Madre das conversas da Jacinta com nossa MÃE SANTÍSSIMA, relacionamos o seguinte:

"Os pecados que levam mais almas para o Inferno, são os pecados da carne. Hão de vir umas modas que vão ofender muito a NOSSO SENHOR. As pessoas que servem a DEUS não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. NOSSO SENHOR é sempre o mesmo. Os pecados do mundo são muito grandes. As guerras são castigos por causa dos pecados do mundo. NOSSA SENHORA já não consegue sustar o braço de seu FILHO sobre o mundo. É preciso fazer penitência."

No dia 2 de Fevereiro de 1920, depois de se confessar e comungar, foi dizer adeus a "JESUS escondido" no sacrário da pequena Igreja do Orfanato, porque despedia-se da Casa de NOSSA SENHORA DOS MILAGRES, para ser internada no Hospital D. Estefânia, para ser operada.

A operação não deu resultado. Na sexta-feira, dia 20 de Fevereiro, pediu os últimos Sacramentos, porque sentia-se muito mal. As 22horas e 30minutos deste dia NOSSA SENHORA veio buscá-la para o Céu. Jacinta morreu com muita paz, assistida apenas por uma enfermeira.

Lúcia ficou muito triste quando soube do acontecimento, principalmente porque estava muito longe e não pode acompanhar a doença da Jacinta e consolar os seus sofrimentos.

A Jacinta e o Francisco foram beatificados pelo Papa João Paulo II em cerimônia solene no Santuário de Fátima no dia 13 de Maio de 2000.

Agora, Lúcia estava só sem os seus queridos priminhos. Conforme tinha anunciado NOSSA SENHORA, ela ainda ficaria algum tempo aqui para divulgar e propagar a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Lúcia viveu uma existência de labor, fazia o trabalho de casa e ajudava a mãe nas arrumações e na costura. Mas em virtude de sua popularidade, por causa das Aparições, todos queriam vê-la, conversar com ela, pedir orações e inclusive, queria que ela pegasse em determinados objetos os quais depois eram zelosamente guardados pelos possuidores como recordação. Visitantes apareciam em quantidade e até vinham em peregrinação com o objetivo de estar com ela. Ela não se acostumava com aquela evidência, e também, com aquelas constantes solicitações, porque representava um sacrifício monstruoso, muito além de seu limite pessoal. Por isso, as vezes entristecia e não poucas vezes, chorava às escondidas. Permaneceu nesta "roda viva", em companhia dos pais e irmãos, até maio de 1920.

Em 17 de Maio foi admitida no Asilo de Vilar, na cidade do Porto, dirigido pelas irmãs religiosas de Santa Dorotéia, onde ouviu a voz de NOSSO SENHOR que a chamou para a vida religiosa. Foi para Tuy na Espanha e a 2 de Outubro de 1926, entrou no noviciado do Instituto das Irmãs de Santa Dorotéia. Com o hábito da irmandade, recebeu o nome de Maria Lúcia das Dores e foi destinada aos trabalhos domésticos. Fez a profissão religiosa dos votos temporários a 3 de Outubro de 1928 e seis anos depois, em 3 de Outubro de 1934, fez os votos perpétuos.

Com a eclosão da revolução espanhola em 1936, ela com outras irmãs, foram transferidas para o Colégio de Sardão, em Vila Nova de Gaia, no Porto. Ali recomeçaram as entrevistas, as constantes visitas, os inoportunos e exaustivos interrogatórios, que fizeram com que ela decidisse deixar as Religiosas de Santa Dorotéia e entrar no Convento de Santa Teresa, para viver isolada do mundo, no claustro. E conseguiu obter, depois de várias tentativas, a desejada autorização diretamente de Sua Santidade o Papa Pio XII.

No dia 23 de Março de 1948 entrou no Carmelo de Coimbra. A 13 de Maio vestiu o hábito das Carmelitas Descalças e a 31 de Maio de 1949, emitiu a profissão solene com o nome de "Irmã Maria Lúcia de JESUS e do Coração Imaculado".

Desenvolveu uma atividade notável dentro do Convento em benefício da conversão dos pecadores, incrementou a difusão e a veneração ao Imaculado Coração de Maria, propagou e estimulou a reza cotidiana do Terço, se empenhou em orações pela saúde e proteção de Sua Santidade, o Santo Padre o Papa e também, procurou divulgar com intensidade a Comunhão Reparadora nos cinco primeiros sábados de cada mês para consolo e desagravo do Sagrado Coração de JESUS e do Imaculado Coração de Maria. Dedicou sua vida a oração, à contemplação e a penitência. Também exercitou grande atividade literária e manteve uma imensa correspondência. Utilizava uma maquina de escrever elétrica com um monitor com muitas memórias. Escreveu as Suas Memórias (2 volumes) e Apelos da Mensagem de Fátima, que foram traduzidos em diversos idiomas. Gostava também de confeccionar trabalhos manuais. Com habilidade e beleza, fabricou milhares de terços. Faleceu com 97 anos de idade no dia 13 de Fevereiro de 2005, no Carmelo português de Santa Teresa, em Coimbra. NOSSA SENHORA veio buscá-la às 17horas e 25minutos. O jornal da Santa Sé "L'Osservatore Romano" escreveu recordando a carmelita: Fecharam-se docemente aqueles olhos que viram os OLHOS da VIRGEM. Todas as realidades do país se detiveram para render homenagem à grandiosa figura de uma pastorinha que com a "força escondida" da oração e da fé, soube tocar os corações de todos.

 

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